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ENSAIOS::::::::::::::::::::::::::::::Máquinas radicais |
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Máquinas radicais contra o tecno-império. Da utopia ao network. Deleuze e Guattari tiraram a máquina para fora da fábrica; agora, cabe a nós tirá-la para fora da rede e imaginar uma geração pós-internet. Por Matteo Pasquinelli — Fonte: Lavoro Cognitivo - Tradução Imediata Cada um de nós é uma máquina do real, cada um de nós é uma máquina construtiva. -- Toni Negri As máquinas técnicas funcionam, evidentemente, com a condição de não serem estragadas. As máquinas desejantes, ao contrário, não cessam de se estragar funcionando; só funcionam quando estragadas. A arte utiliza com freqüência esta propriedade, criando verdadeiros fantasmas de grupo que curto-circuitam a produção social com uma produção desejante, e introduzem uma função de estrago na reprodução das máquinas técnicas. -- Gilles Deluze, Felix Guattari, L'anti-Edipo O que é o compartilhamento dos conhecimentos? Como funciona a economia da consciência? Onde está o general intellect no trabalho? Aproximem-se de um distribuidor automático de cigarros. A maquininha que vocês vêem é a encarnação de um conhecimento científico em dispositivos de hardware e software, gerações de engenharia estratificadas para uso varejista: ela gerencia automaticamente os fluxos de dinheiro e mercadoria, substitui o humano com uma interface amigável, defende a propriedade privada e funciona graças a uma mínima rotina de controle e reabastecimento. Que fim fez o dono da tabacaria? Às vezes, aproveita o tempo livre. Outras vezes, foi superado pela empresa que possui a cadeia de distribuidores. Em seu lugar, é possível encontrar-se um técnico. Longe de querer imitar o Fragmento sobre as Máquinas de Marx, com um ‘Fragmento sobre os distribuidores automáticos de cigarros’, esse exemplo mostra que as teorias do pós-fordismo tomam corpo ao nosso redor. E que as máquinas materiais ou abstratas construídas pela inteligência coletiva estão concatenadas organicamente aos fluxos da economia e das nossas necessidades. Fala-se de general intellect, mas seria preciso falar-se nisso no plural. As formas da inteligência coletiva são múltiplas. Algumas podem se tornar formas totalitárias de controle, como a ideologia militar-administrativa dos neocons bushistas ou do império da Microsoft. Outras, ainda, encarnam-se nas burocracias sociais-democráticas, nos aparatos de controle policial, na matemática dos especuladores de bolsa, na arquitetura das cidades (passeamos todos os dias sobre concretizações da inteligência coletiva). Nas distopias de 2001 Uma Odisséia no Espaço e de Matrix, o cérebro das máquinas evolui em autoconsciência até se livrar do humano. As inteligências coletivas "do bem", ao contrário, produzem redes internacionais de cooperação como as redes do movimento global, dos trabalhadores precários, dos que desenvolvem softwares livres, do midiativismo, dos que produzem a partilha dos conhecimentos nas universidades, das licenças abertas tipo "Creative Commons" e ainda dos planos urbanísticos participativos, das narrações e dos imaginários de libertação. A partir de uma perspectiva geopolítica, poderíamos nos imaginar em uma das paranóias de ficção científica de Philip Dick: o mundo está dominado por uma única inteligência, mas no seu interior se assiste à guerra entre duas Organizações de "general intellect" contrapostas e inter-relacionadas. Acostumados com as tradicionais formas representativas do movimento global, não percebemos os novos conflitos produtivos, preocupados muito mais com a guerra, não percebemos a centralidade do conflito. Segundo Manuel Castells, definimos o movimento como uma subjetividade de resistência que não consegue se tornar um projeto. Não percebemos a distância do movimento global do centro da produção capitalista, do centro da produção do real. E parafraseando Paolo Virno, dizemos que já há demais política nas novas formas produtivas, para que a política de movimento ainda possa desfrutar de uma autônoma dignidade. [1] O ’77 (não somente o italiano, pensamos também na estação punk), verificou o fim do paradigma "revolução" por aquele de movimento, abrindo os novos planos de conflito da comunicação, dos meios de comunicação, da produção de imaginário. Nesses dias estamos descobrindo também que o formato "movimento" deve ser superado. A favor, provavelmente, daquele de network. Três tipos de ação que no século XIX eram bem distintas — trabalho, política e arte — agora se integraram em uma mesma atitude e são centrais em cada processo produtivo. Para trabalhar, fazer política e produzir imaginário hoje são necessárias competências híbridas. Isso significa que somos todos trabalhadores-artistas-ativistas, mas significa também que as figuras do militante e do artista estão superadas e que tais competências se formam em um espaço comum que é a esfera do intelecto coletivo. O general intellect é o patriarca de uma família de conceitos cada vez mais numerosos e discutidos: economia do conhecimento, capitalismo cognitivo, inteligência coletiva, intelectualidade de massa, trabalho imaterial, cognitivismo, sociedade de informação, classe criativa, compartilha dos conhecimentos, pós-fordismo. Nos últimos anos, o léxico político se enriqueceu de instrumentos relacionados uns aos outros, os quais observamos nos perguntando para que servem exatamente. Por uma questão de simplicidade, concordamos somente com os termos herdeiros de uma abordagem iluminística, angélica, quase neognóstica. A realidade é muito mais complexa e esperamos que novas formas reivindiquem o papel que ao interior da mesma arena cabe a desejo, corpo, estética, biopolítico. E lembramos também a querela trabalhadores cognitivistas versus precários, duas caras da mesma medalha que os precogs de Chainworkers sintetizam, dizendo que: "os primeiros são networkers, os segundos networked; os primeiros brainworkers, os segundos chainworkers; os primeiros seduzidos e depois abandonados pelas empresas e mercados financeiros; os segundos envolvidos e flexibilizados pelos fluxo apátridas do capital global". [2] A questão é que estamos à procura de um novo ator coletivo e de um novo ponto de aplicação da enferrujada classe revolucionária. O sucesso do conceito de multidão reflete também a atual desorientação. O pensamento crítico procura continuamente forjar o ator coletivo que encarne o espírito dos tempos e a história é repercorrida reconstruindo-se as formas relativas a cada paradigma de ação política: o ator social mais ou menos coletivo, a organização mais ou menos vertical, o fim mais ou menos utópico. Proletariado e multidão, partido e movimento, revolução e auto-organização. Hoje em dia, imagina-se que o ator coletivo seja o general intellect (ou como se queira chamá-lo), a sua forma é a rede, o seu objetivo a constituição de um plano de autonomia e autopoiese, o seu campo de ação o capitalismo cognitivo espetacular biopolítico… Aqui não falamos de multidão, por ser um conceito ao mesmo tempo demasiado nobre e inflacionado, herdeiro de séculos de filosofia e veiculado com muita freqüência pelos megafones das manifestações. O conceito de multidão foi mais útil como exorcismo das pretensões de identidade do movimento global do que como instrumento construtivo. A pars construen caberá ao general intellect: filósofos como Paulo Virno, quando precisam reencontrar o terreno comum, o ator coletivo desaparecido, reconstroem a inteligência Coletiva ou a Cooperação como propriedade emergente e constitutiva da multidão. Em outra lenda paranóica, imaginamos que a tecnologia seja a última herdeira de uma saga de atores coletivos gerados pela história, como uma boneca matryoshka: religião — teologia — filosofia — ideologia — ciência — tecnologia. Para dizer que nas tecnologias de informação e de inteligência se estratifica a história do pensamento, mesmo se daquela saga lembramos somente o último episódio, ou seja, a rede que encarna os sonhos da geração política precedente. Como chegamos a esse ponto? Estamos no ponto de convergência de diversos planos históricos. A hereditariedade das vanguardas históricas da síntese entre estética e política. As lutas do ’68 e do ’77 que abrem novos planos de conflito fora das fábricas e dentro do imaginário e da comunicação. A hipertrofia da sociedade do espetáculo e da economia do logo. A transformação do trabalho assalariado fordista no trabalho autônomo precário pós-fordista. A revolução informática e o advento da internet, da net economy e da network society. A utopia secularizada em tecnologia. O mais alto exercício de representação que se torna produção molecular. Há aqueles que percebem o momento atual como um vivaz network mundial, os que o vêem como uma nebulosa indistinta, outros como uma nova forma de exploração, ou ainda como oportunidade. Hoje, a densidade alcança a massa crítica, forma uma classe radical global sobre a intersecção dos planos do ativismo, da comunicação, da arte, da tecnologia de rede, da procura independente. O que significa sermos produtivos e voltados a projetos, abandonar a mera representação do conflito e as formas representativas da política? Há uma metáfora hegemônica difundida no debate político, no mundo da arte, na filosofia, na crítica dos meios de comunicação, na cultura de rede: o software livre. Ele é citado no fim de cada evento que se ponha o problema do que fazer (mas também em artigos de marketing estratégico…), enquanto a metáfora gêmea open source contamina cada disciplina: arquitetura open source, literatura open source, democracia open source, cidade open source… Os softwares são máquinas imateriais. A metáfora free software é demasiadamente fácil devido à sua imaterialidade, que freqüentemente não consegue produzir atrito com o mundo real. Embora saibamos que é algo de bom e justo, nos perguntamos, polemicamente: o que mudará quando todos os computadores do mundo usarão free software? O aspecto mais interessante do modelo free software é a imensa rede de cooperação que foi criada entre os programadores em escala mundial, mas quais são os outros exemplos concretos que podemos dar para propor novas formas de ação no mundo real e não só no âmbito do digital? Nos anos ’70, Deleuze e Guattari tiveram a intuição do mecânico, introjeção / imitação da forma produtiva industrial. Finalmente, um materialismo hidráulico que falava de máquinas com desejos, revolucionárias, celibatárias, de guerra, e não de representações e ideologias. [3] Deleuze e Guattari tiraram a máquina para fora da fábrica, agora cabe a nós tirá-la para fora da rede e imaginar a geração pós-internet. O trabalho cognitivo produz máquinas, máquinas de todo tipo, não só software: máquinas eletrônicas, máquinas narrativas, máquinas publicitárias, máquinas midiáticas, máquinas de interpretação, máquinas psíquicas, máquinas sociais, máquinas de libido. No século XIX, a definição de máquina indicava um dispositivo para a transformação de energia. No XX, a máquina de Turing — na base de cada computador — começa a interpretar a informação na forma de seqüências de 0 e 1. Para Deleuze e Guattari, ao contrário, a máquina desejante produz, corta, compõe fluxos e sem interrupções produz o real. Hoje, entendemos por máquina a forma elementar do general intellect, cada nó do network da inteligência cognitiva, cada dispositivo material ou imaterial que encadeia organicamente os fluxos da economia e dos nossos desejos. Em um nível superior, a própria rede pode ser considerada uma mega-máquina de assemblage de outras máquinas, e até mesmo a multidão se torna mecânica, como escrevem Hardt e Negri em Império: "A multidão não só usa as máquinas para produzir, mas ela mesma se torna, contemporaneamente, cada vez mais maquinal. Da mesma forma, os meios de produção são sempre mais integrados nas mentes e nos corpos da multidão. Nesse contexto, a reapropriação significa o livre acesso e controle do conhecimento, da informação, da comunicação e dos afetos, enquanto meios primários da produção biopolítica. O simples fato de que essas máquinas produtivas tenham sido integradas nas multidões não significa que essas últimas sejam capazes de controlá-las; ao contrário, tudo isso torna a alienação bem mais odiosa e corrupta. O direito à reapropriação é o direito da multidão ao autocontrole e a uma autônoma auto-produção". [4] Em outras palavras, já foi dito que no pós-fordismo, a fábrica saiu da fábrica, que a sociedade inteira se tornou uma fábrica. Uma multidão já maquinal sugere que o derrubamento do atual sistema de produção em um plano de autonomia seja possível graças a uma crise de rins, desconectando a multidão do comando do capital. Mas a operação não é de todo fácil, nos termos do tradicional moto "nos reapropriarmos dos meios de produção". Porque? Se é verdade que hoje o principal instrumento de trabalho é a cabeça e que, portanto, os trabalhadores podem imediatamente se reapropriarem do meio de produção, é igualmente verdade que também o controle e a exploração da sociedade se tornaram imateriais cognitivos reticulares. Não só se acresceu o general intellect das multidões, como também aquele do império. Os trabalhadores armados com seus computadores podem se reapropriar dos meios de produção, mas colocando o nariz fora do desktop se encontram lado a lado a um Godzilla que não tinham previsto, o Godzilla do general intellect inimigo. As meta-máquinas sociais estatais econômicas às quais nós, seres-humanos, estamos conectados como próteses, estão dominadas por automatismos conscientes e inconscientes. As meta-máquinas são gerenciadas por um tipo particular de trabalho cognitivo que é o trabalho político administrativo gerencial, o qual projeta, organiza, controla em vasta escala, uma forma de general intellect que nunca consideramos no passado, cujo príncipe é uma figura que aparece em cena na segunda metade do século dezenove: o gerente ou manager. Como lembra Bifo, citando Orwell em seu ensaio O totalitarismo Tecno-administrativo de Burnham a Bush, no mundo pós-democrático (ou, se preferirem, no império) são os gerentes que assumiram o comando: "O capitalismo está desaparecendo, mas o socialismo não o substitui. O que está nascendo é um novo tipo de sociedade planificada e centralizada que não será nem capitalista nem democrática. Os governantes serão aqueles que controlam efetivamente os meios de produção, isto é, os executivos, os técnicos, os burocratas e os militares, unidos sob a categoria de gerentes, administradores ou managers. Eles eliminarão a velha classe proprietária, esmagarão a classe operária e organizarão a sociedade de modo a manter em suas mãos o privilégio econômico. Os direitos de propriedade privada serão abolidos, mas não por isso será estabelecida a propriedade comum. Não existirão mais pequenos estados independentes, mas grandes super-estados concentrados em torno dos centros industriais da Europa, Ásia e América, e esses super-estados combaterão entre si. Essas sociedades serão fortemente hierárquicas com uma aristocracia do talento no vértice e uma massa de semi-escravos na base." (George Orwell, Second Thoughts on James Burnham, 1946). [5] Citamos no início as duas inteligências que se enfrentam no mundo e as formas nas quais se manifestam. A multidão funciona como uma máquina porque se reduziu a um esquema, a um software social, concebido para a exploração de suas energias e de suas idéias. Assim, os tecno-gerentes ou tecno-managers (públicos, privados e militares) são aqueles que, inconscientemente ou não, projetam e controlam máquinas feitas de seres humanos ‘assemblados’ uns aos outros. O general intellect gera monstros. Em confronto com a penetração da tecno-administração neoliberal, a inteligência do movimento global é pouquíssima coisa. O que fazer? É necessário seja inventar máquinas virtuosas revolucionárias radicais nos pontos cruciais da rede, seja enfrentar o general intellect que administra as meta-máquinas imperiais. E antes de começar, tomar consciência da densidade de "inteligência" que se condensa em cada mercadoria, organização, mensagem, mídia, em cada máquina da sociedade pós-moderna. Don't hate the machine, be the machine. Como transformar a compartilha dos conhecimentos e saberes, dos instrumentos e dos espaços em novas máquinas produtivas radicais revolucionárias, além do excessivamente celebrado free software? É o mesmo desafio que há um tempo se preanunciava: reapropriar-se dos meios de produção. A classe radical global conseguirá inventar máquinas sociais que saibam desafiar o capital e funcionar como planos de autonomia e autopoiese? Máquinas radicais que saibam enfrentar a inteligência tecno-administrativa e as meta-máquinas imperiais escalonadas à nossa volta? A peleja multidões contra império se torna o combate das máquinas radicais contra os tecno-monstros imperiais. Por onde devemos começar a construir essas máquinas?
Matteo Pasquinelli mat AT rekombinant.org Bologna, fevereiro de 2004 Web + PDF: www.rekombinant.org/article.php?sid=2257 ---- 1. Paolo Virno, Grammatica della moltitudine, Derive Approdi, Roma 2002. 2. Chainworkers, Il precognitariato. L'europrecariato si è sollevato, 2003, publicado em . ver também e . 3. Gilles Deleuze, Felix Guattari, L'anti-Edipo, Einaudi, Torino 1975; ed. orig. L'anti-Oedipe, Les Éditions De Minuit, Paris 1972. 4. Michael Hardt, Antonio Negri, Impero, Rizzoli, Milano 2002; ed. orig. Empire, Harvard University Press, Cambridge MA 2000. 5. Franco "Bifo" Berardi, Il totalitarismo tecno-manageriale da Burnham a Bush, 2004, publicado em .
Macchine radicali contro il tecnoimpero. Dall'utopia al network Matteo Pasquinelli - Lavoro Cognitivo Deleuze e Guattari tirarono fuori la macchina dalla fabbrica, ora spetta a noi tirarla fuori dalla rete e immaginare la generazione post-internet.
Ognuno di noi è una macchina del reale, ognuno di noi è una macchina costruttiva. -- Toni Negri Le macchine tecniche funzionano evidentemente a condizione di non essere guaste. Le macchine desideranti al contrario non cessano di guastarsi funzionando, non funzionano che guaste. L'arte utilizza spesso questa proprietà creando veri e propri fantasmi di gruppo che cortocircuitano la produzione sociale con una produzione desiderante, e introducono una funzione di guasto nella riproduzione di macchine tecniche. -- Gilles Deluze, Felix Guattari, L'anti-Edipo
Cos'è la condivisione dei saperi? Come funziona l'economia della conoscenza? Dov'è il general intellect al lavoro? Avvicinate un distributore di sigarette. La macchinetta che vedete è l'incarnazione di un sapere scientifico in dispositivi hardware e software, generazioni di ingegneria stratificate ad uso bottegaio: gestisce automaticamente i flussi di denaro e merci, sostituisce l'umano con una interfaccia user-friendly, difende la proprietà privata, funziona grazie ad una minima routine di controllo e rifornimento. Dove è finito il tabaccaio? A volte si gode il tempo libero. Altre volte è soppiantato dalla società che possiede la catena di distributori. Al suo posto capita di incontrare un tecnico. Lungi dal voler imitare il Frammento sulle macchine di Marx con un Frammento sui distributori di sigarette, questo esempio antisalutista mostra che le teorie del postfordismo prendono vita intorno a noi. E che le macchine materiali o astratte costruite dall'intelligenza collettiva sono concatenate organicamente ai flussi dell'economia e dei nostri bisogni. Si parla di general intellect, ma bisognerebbe parlarne al plurale. Le forme dell'intelligenza collettiva sono molteplici. Alcune possono diventare forme totalitarie di controllo, come l'ideologia militar-manageriale dei neocons bushisti o dell'impero Microsoft. Altre ancora si incarnano nelle burocrazie socialdemocratiche, negli apparati di controllo polizieschi, nella matematica degli speculatori di borsa, nell'architettura delle città (passeggiamo ogni giorno su concrezioni di intelligenza collettiva). Nelle distopie di 2001 Odissea nello spazio e Matrix, il cervello delle macchine evolve in autocoscienza fino a sbarazzarsi dell'umano. Le intelligenze collettive "buone", invece, producono reti internazionali di cooperazione come i network del movimento globale, dei lavoratori precari, degli sviluppatori free software, del mediattivismo, producono la condivisione dei saperi nelle università, le licenze aperte Creative Commons, e ancora piani urbanistici partecipativi, narrazioni e immaginari di liberazione. Da una prospettiva geopolitica, potremmo figurarci in una delle paranoie fantascientifiche di Philip Dick: il mondo è dominato da una sola Intelligenza, ma al suo interno si assiste alla guerra tra due Organizzazioni di general intellect contrapposte e intrecciate. Abituati alle tradizionali forme rappresentative del movimento globale non cogliamo i nuovi conflitti produttivi, preoccupati molto più della guerra non ci accorgiamo della centralità dello scontro. Seguendo Manuel Castells, definiamo il movimento una soggettività resistenziale che non riesce a diventare progettuale. Non ci accorgiamo della lontananza del movimento globale dal centro della produzione capitalistica, dal centro della produzione del reale. E parafrasando Paolo Virno, diciamo che c'è già troppa politica nelle nuove forme produttive perchè la politica di movimento possa godere ancora di una autonoma dignità. [1] Il '77 (non solo italiano, pensiamo anche alla stagione punk) ha sancito la fine del paradigma "rivoluzione" per quello di movimento, aprendo i nuovi piani di conflitto della comunicazione, dei media, della produzione di immaginario. In questi giorni stiamo scoprendo che anche il format "movimento" è da superare. In favore, probabilmente, di quello di network. Tre tipi di azione che nell'ottocento erano ben distinte - lavoro politica arte - ora si sono integrate in una stessa attitudine e sono centrali in ogni processo produttivo. Per lavorare, fare politica, produrre immaginario oggi servono competenze ibride. Questo significa che siamo tutti lavoratori-artisti-attivisti ma significa anche che le figure del militante e dell'artista sono superate e che tali competenze si formano in uno spazio comune che è la sfera dell'intelletto collettivo. Il general intellect è il patriarca di una famiglia di concetti sempre più numerosi e discussi: economia della conoscenza, capitalismo cognitivo, intelligenza collettiva, intellettualità di massa, lavoro immateriale, cognitariato, società dell'informazione, classe creativa, condivisione dei saperi, postfordismo. Negli ultimi anni il lessico politico si è arricchito di strumenti imparentati l'un l'altro che rigiriamo fra le mani chiedendoci a cosa servano esattamente. Per semplicità diamo ragione solo dei termini eredi di un approccio illuministico, angelico, quasi neognostico. La realtà è molto più complessa e aspettiamo che nuove forme rivendichino il ruolo che all'interno della stessa arena spetta a desiderio corpo estetica biopolitico. E ricordiamo anche la querelle lavoratori cognitari vs. precari, due facce della stessa medaglia che i precogs di Chainworkers sintetizzano dicendo che "i primi sono networkers, i secondi networked; i primi brainworkers, i secondi chainworkers; i primi sedotti e poi abbandonati da imprese e mercati finanziari, i secondi travolti e flessibilizzati dai flussi apolidi del capitale globale". [2] Il punto è che siamo alla ricerca di un nuovo attore collettivo e di un nuovo punto di applicazione dell'arrugginita leva rivoluzionaria. Il successo del concetto di moltitudine riflette anche l'attuale disorientamento. Il pensiero critico cerca continuamente di forgiare l'attore collettivo che incarni lo spirito dei tempi e la storia si ripercorre ricostruendo le forme sottese ad ogni paradigma di azione politica: l'attore sociale più o meno collettivo, l'organizzazione più o meno verticale, il fine più o meno utopico. Proletariato e moltitudine, partito e movimento, rivoluzione e autorganizzazione. Oggi si immagina che l'attore collettivo sia il general intellect (o come volete chiamarlo), la sua forma la rete, il suo obiettivo la costituzione di un piano di autonomia e autopoiesi, il suo campo di azione il capitalismo cognitivo spettacolare biopolitico... Qui non parliamo di moltitudine, perché concetto allo stesso tempo troppo nobile e inflazionato, erede di secoli di filosofia e sfuggito troppo spesso dai megafoni dei cortei. Il concetto di moltitudine è stato più utile come esorcismo delle pretese identitarie del movimento globale che come strumento costruttivo. La pars costruens spetterà al general intellect: filosofi come Paolo Virno quando devono ritrovare il terreno comune, l'attore collettivo smarrito, ricostruiscono l'Intelligenza Collettiva o la Cooperazione come proprietà emergente e costitutiva della moltitudine.
In un'altra favola paranoica, immaginiamo che la tecnologia sia l'ultima erede di una saga di attori collettivi generati dalla storia come una bambola matryoshka: religione - teologia - filosofia - ideologia - scienza - tecnologia. Per dire che nelle tecnologie dell'informazione e dell'intelligenza si stratifica la storia del pensiero, anche se della saga ricordiamo solo l'ultimo episodio, ovvero la rete che incarna i sogni della generazione politica precedente. Come si è arrivati a tutto questo? Siamo al punto di convergenza di diversi piani storici. L'eredità delle avanguardie storiche della sintesi tra estetica e politica. Le lotte del '68 e del '77 che aprono nuovi piani di conflitto fuori dalle fabbriche e dentro l'immaginario e la comunicazione. L'ipertrofia della società dello spettacolo e dell'economia del logo. La trasformazione del lavoro salariato fordista nel lavoro autonomo precario postfordista. La rivoluzione informatica e l'avvento di internet, della net economy e della network society. L'utopia laicizzata in tecnologia. Il più alto esercizio di rappresentazione che diventa produzione molecolare. C'è chi percepisce il momento attuale come un vivace network mondiale, chi come una nebulosa indistinta, chi come una nuova forma dello sfruttamento, chi come opportunità. Oggi la densità raggiunge la massa critica, forma una classe radicale globale sull'intersezione dei piani dell'attivismo, della comunicazione, dell'arte, delle tecnologie di rete, della ricerca indipendente. Cosa significa essere produttivi e progettuali, abbandonare la mera rappresentazione del conflitto e le forme rappresentative della politica? C'è una metafora egemonica diffusa nel dibattito politico, nel mondo dell'arte, nella filosofia, nella critica dei media, nella cultura di rete: il free software. Lo sentiamo citato alla fine di ogni intervento che si ponga il problema del che fare (ma anche in articoli di marketing strategico...), mentre la metafora gemella open source contamina ogni disciplina: architettura open source, letteratura open source, democrazia open source, città open source... I software sono macchine immateriali. La metafora free software è fin troppo facile per la sua immaterialità, che spesso non riesce ad avere attrito con il mondo reale. Anche se sappiamo che è cosa buona e giusta, polemicamente ci chiediamo: cosa cambierà quando tutti i computer del mondo gireranno free software? L'aspetto più interessante del modello free software è l'immensa rete di cooperazione che si è creata tra programmatori su scala mondiale, ma quali altri esempi concreti possiamo portare per proporre nuove forme di azione nel mondo reale e non solo nel reame del digitale? Negli anni '70 Deleuze e Guattari ebbero l'intuizione del macchinico, introiezione / imitazione della forma produttiva industriale. Finalmente un materialismo idraulico che parlava di macchine desideranti, rivoluzionarie, celibi, da guerra e non di rappresentazioni e ideologie. [3] Deleuze e Guattari tirarono fuori la macchina dalla fabbrica, ora spetta a noi tirarla fuori dalla rete e immaginare la generazione post-internet. Il lavoro cognitivo produce macchine, macchine di ogni tipo, non solo software: macchine elettroniche, macchine narrative, macchine pubblicitarie, macchine mediatiche, macchine attoriali, macchine psichiche, macchine sociali, macchine libidiche. Nell'ottocento la definizione di macchina indicava un dispositivo per la trasformazione di energia. Nel novecento la macchina di Turing - alla base di ogni computer - comincia ad interpretare l'informazione nella forma di sequenze di 0 e 1. Per Deleuze e Guattari invece la macchina desiderante produce taglia compone flussi e senza sosta produce il reale. Oggi per macchina intendiamo la forma elementare del general intellect, ogni nodo del network dell'intelligenza collettiva, ogni dispositivo materiale o immateriale che concatena organicamente i flussi dell'economia e dei nostri desideri. Ad un livello superiore, la rete stessa si può considerare una mega-macchina assemblaggio di altre macchine, e anche la moltitudine diventa macchinica, come scrivono Hardt e Negri in Impero: "La moltitudine non usa solo le macchine per produrre, ma essa stessa diviene, contemporaneamente, sempre più macchinica. Nello stesso modo, i mezzi di produzione sono sempre più integrati nelle menti e nei corpi della moltitudine. In tale contesto, riappropriazione significa libero accesso e controllo della conoscenza, dell'informazione, della comunicazione e degli affetti, in quanto mezzi primari della produzione biopolitica. Il semplice fatto che queste macchine produttive siano state integrate nelle moltitudine non significa che quest'ultima sia in grado di controllarle; al contrario, tutto ciò rende l'alienazione assai più odiosa e viziata. Il diritto alla riappropriazione è il diritto della moltitudine all'autocontrollo e a un'autonoma autoproduzione". [4] Con altre parole si è detto che nel postfordismo la fabbrica è uscita dalla fabbrica, che la società tutta è diventata fabbrica. Una moltitudine già macchinica suggerisce che il rovesciamento dell'attuale sistema di produzione in un piano di autonomia sia possibile grazie ad un colpo di reni, disconnettendo la moltitudine dal comando del capitale. Ma l'operazione non è del tutto facile nei termini del tradizionale motto "riappropriamoci dei mezzi di produzione". Perché? Se è vero che oggi il principale strumento di lavoro è il cervello e che quindi i lavoratori possono immediatamente riappropriarsi del mezzo di produzione, è pure vero che anche il controllo e lo sfruttameno della società sono diventati immateriali cognitivi reticolari. Non solo si è accresciuto il general intellect delle moltitudini, ma anche quello dell'impero. I lavoratori armati dei loro computer possono riappropriarsi dei mezzi di produzione, ma messo il naso fuori dal desktop si trovano a fronteggiare un Godzilla che non avevano previsto, il Godzilla del general intellect nemico. Le meta-macchine sociali statali economiche alle quali noi esseri umani siamo connessi come protesi sono dominate da automatismi consci e inconsci. Le meta-macchine sono gestite da un particolare tipo di lavoro cognitivo che è il lavoro politico amministrativo manageriale, che progetta organizza controlla su vasta scala, una forma di general intellect che non abbiamo mai considerato, di cui principe è una figura che calca le scene nel secondo novecento: il manager. Come ricorda Bifo citando Orwell nel suo saggio Il totalitarismo tecno-manageriale da Burnham a Bush, nel mondo post-democratico (o se preferite nell'impero) sono i manager ad aver assunto il comando: "Il capitalismo sta scomparendo ma il socialismo non lo sostituisce. Quel che sta nascendo è un nuovo tipo di società pianificata e centralizzata che non sarà né capitalista né democratica. I governanti saranno coloro che controllano effettivamente i mezzi di produzione, cioè gli esecutivi, i tecnici, i burocrati e i militari, uniti sotto la categoria di "managers". Costoro elimineranno la vecchia classe proprietaria, schiacceranno la classe operaia, e organizzeranno la società in modo da mantenere nelle loro mani il privilegio economico. I diritti di proprietà privata saranno aboliti ma non sarà per questo stabilita la proprietà comune. Non ci saranno più piccoli stati indipendenti, ma grandi super-stati concentrati intorno ai centri industriali in Europa, Asia e America, e questi super-stati combatteranno fra loro. Queste società saranno fortemente gerarchiche con un'aristocrazia del talento al vertice e una massa di semi-schiavi alla base." (George Orwell, Second Thoughts on James Burnham, 1946). [5] Abbiamo citato all'inizio le due intelligenze che si affrontano nel mondo e le forme nelle quali si manifestano. La moltitudine funziona come una macchina perché è calata in uno schema, in un software sociale, pensato per lo sfruttamento delle sue energie e delle sue idee. Ecco, i tecnomanager (pubblici privati militari) sono coloro che, inconsciamente o meno, progettano e controllano macchine fatte di esseri umani assemblati l'uno con l'altro. Il general intellect genera mostri. A confronto con la pervasività del tecnomanagement neoliberista, l'intelligenza del movimento globale è pochissima cosa. Che fare? Bisogna sia inventare macchine virtuose rivoluzionarie radicali da collocare nei punti nodali del network, sia affrontare il general intellect che amministra le meta-macchine imperiali. E prima di cominciare, prendere coscienza della densità di "intelligenza" che si condensa in ogni merce organizzazione messaggio media, in ogni macchina della società postmoderna. Don't hate the machine, be the machine. Come trasformare la condivisione dei saperi e delle conoscenze, degli strumenti e degli spazi in nuove macchine produttive radicali rivoluzionarie, oltre il supergettonato free software? E' la stessa sfida che un tempo si pronunciava: riappropriarsi dei mezzi di produzione. La classe radicale globale riuscirà a inventare macchine sociali che sappiano sfidare il capitale e funzionare come piani di autonomia e autopoiesi? Macchine radicali che sappiano affrontare l'intelligenza tecnomanageriale e le meta-macchine imperiali schierate intorno a noi? Il match moltitudini contro l'impero diventa il match macchine radicali contro tecnomostri imperiali. Da dove cominciare a costruire queste macchine?
Matteo Pasquinelli mat AT rekombinant.org Bologna, febbraio 2004 Web + PDF: www.rekombinant.org/article.php?sid=2257 ---- 1. Paolo Virno, Grammatica della moltitudine, Derive Approdi, Roma 2002. 2. Chainworkers, Il precognitariato. L'europrecariato si è sollevato, 2003, pubblicato su . Vedi anche e . 3. Gilles Deleuze, Felix Guattari, L'anti-Edipo, Einaudi, Torino 1975; ed. orig. L'anti-Oedipe, Les Éditions De Minuit, Paris 1972. 4. Michael Hardt, Antonio Negri, Impero, Rizzoli, Milano 2002; ed. orig. Empire, Harvard University Press, Cambridge MA 2000. 5. Franco "Bifo" Berardi, Il totalitarismo tecno-manageriale da Burnham a Bush, 2004, publicado em .
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