1 - O que é Poesia Visual para você?
A Poesia Visual é, para mim, a poética da imagem. Pela articulação entre signos, símbolos e sinais, busco uma linguagem visual de comunicação semiótica, que dispense as redundâncias inerentes à poética da linguagem verbal e crie sua sintaxe própria.
2 - Quais foram e/ou são as suas fontes de inspiração, seus modelos (poetas ou movimentos artísticos) neste meio poético?
As tiras de história-em-quadrinhos me fascinaram na infância. As de Joe McManus tratavam da relação de um casal, em cenários onde os quadros eram tridimensionais com elementos saindo da tela para interagir ludicamente com os personagens, produzindo uma informação diferenciada. Abriu-se para mim a perspectiva do quadro tridimensional, interativo com o ambiente, e de caráter lúdico.
3 - Porque você escolheu ou gosta de produzir Poesia Visual como um dos seus meios de expressão artística?
A Poesia Visual abre possibilidade de um trabalho com participação do público, incorporando também um lado lúdico. A Poesia Visual não tem limites de meios, nem de técnicas pré-convencionadas pelas pressões sociais. Isso proporciona maior possibilidade de expressão e comunicação com o público.
4 - Desde quando você adotou a Poesia Visual como forma de expressão?
Desde 1965, trabalhei com tentativas de expressão através da visualidade. Em 1966, comecei a produzir conscientemente poemas-visuais, poemas-códigos, objetos-poemas em acrílico. Em contacto com as discussões do poema-processo, movimento do qual fui co-fundadora, comecei a centrar a minha criatividade poética sobre os processos. Para mim o poema é um veículo do processo semiótico que ele encerra.