1 - O que é Poesia Visual para você?
A palavra é um meio de comunicação poderoso, e poder construir uma imagem com palavras para mim se tornou um desafio criativo permanente. Eu sempre usei, de forma deliberada, a mesma palavra para compor ao que eu me refiro como a minha poesia visual

2 - Quais foram e/ou são as suas fontes de inspiração, seus modelos (poetas ou movimentos artísticos) neste meio poético?
O primeiro artista que me influenciou no uso da palavra foi Julius Bissier, nos anos 60. Quando eu vi o seu trabalho pela primeira vez, eu percebi o quão precisamente ele inseriu letras nas suas pinturas. Num plano maior, eu continuo sendo influenciada por artistas, e não apenas por poesia, como seria o esperado. Eles se tornaram meus modelos. Hoje eu procuro por palavras encontradas nas calçadas, inscrições urbanas, palavras gastas pelo tempo, palavras perdidas, palavras que compõem uma poesia anônima. E eu não estou falando de graffiti.

3 - Porque você escolheu ou gosta de produzir Poesia Visual como um dos seus meios de expressão artística?
Eu utilizei esses poemas visuais como uma forma de reflexão profunda do
meu trabalho, em momentos de grande dúvida artística ou em momentos de crise existencial. Ao criar estes trabalhos, a palavra me leva a lados opostos: o visceral e o lúcido. Com a poesia e desenho em conjunto, eu alcanço o ponto culminante e essencial, e também a idéia de celebração.

4 - Desde quando você adotou a Poesia Visual como forma de expressão?
Desde o começo dos anos 60 eu venho usando a palavra como reforço poético e realístico na concepção do meu trabalho. Nos anos 90, ao intensificar meu trabalho com a palavra escrita, eu usei reforços diferentes: papel, vidro, algodão e objetos gráficos. Mais tarde, as palavras foram projetadas em espaços públicos tais como o Arco da Lapa (um velho aqueduto no Rio de Janeiro) e no Estádio do Pacaembu (o principal estádio de futebol em São Paulo).