1 - O que é Poesia Visual para você?
A poesia visual nasce do embate do artista com a materialidade da página e com a natureza híbrida das letras e dos signos, capaz de relativizar os limites entre imagens e textos.
2 - Quais foram e/ou são as suas fontes de inspiração, seus modelos (poetas ou movimentos artísticos) neste meio poético?
No campo da literatura poética, minhas referências são Oswald de Andrade, Augusto de Campos, Mallarmé e os Caligramas de Apollinaire. Mas também as narrativas-forma são importantes, e nesse sentido destaco Hemingway, John dos Passos, Virginia Woolf e Ignácio de Loyola Brandão (O Zero). Não posso deixar aqui de citar os cyberpoetas que mudaram meu horizonte literário: a dupla JODI, Mark Napier, Mark Amerika e Olia Lialiana.
3 – Porque você escolheu ou gosta de produzir Poesia Visual como um dos seus meios de expressão artística?
O que faço é acima de tudo uma poesia digital, fruto de um embate com a natureza alfa-numérica do cyberspace. Procuro sempre lidar com os códigos-fontes, como se entrasse no lado avesso da tela, a fim enfrentar e dialogar com a especificidade de uma escrita e de uma leitura que é feita em rede. É a poética da rede o que me interessa.
4 - Desde quando você adotou a Poesia Visual como forma de expressão?
Quando me dei conta que a produção de um discurso crítico sobre a Internet implicava a necessidade de tecer esse discurso lidando com as próprias tramas da rede, que em si é poética, por confundir com os limites entre textos, imagens e lugares. Na Web, o texto é condição de visualização das imagens, que são todas endereçadas em relação ao servidor, e por isso faz com que a escrita seja a própria referência de um espaço sem volume.