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- O que é Poesia Visual para você?
A partir dos anos iniciais do século XX, o sistema poético verbal
normativo começou a experimentar sucessivas desintegrações.
Primeiro, com a ruptura com os cânones da rima e do ritmo, dando aparecimento
ao verso livre. Após esta fase de explosão dos rígidos
esquemas de construção do verso, esfacelou-se o próprio
verso enquanto unidade linear de leitura, permitindo com que a palavra se espacializasse
sobre a página, dando uma configuração gráfica ao
poema. Assim, Poesia Visual é para mim a possibilidade de uma poética
da visualidade onde o signo, ao adquirir plasticidade, é capaz de desempenhar
uma função poética mais ampla.
2 - Quais foram e/ou são as suas fontes de inspiração,
seus modelos (poetas ou movimentos artísticos) neste meio poético?
Tive várias, sendo talvez as principais Mallarmé e seu "Un
coup de dés", os poetas do Futurismo, Dada e Surrealismo como
Marinetti, Soffici, Russolo, Hugo Ball, Schwitters, Tzara, Breton, Apollinaire,
Khlebnikov, etc. Também os poetas do "letrismo" como Isidore
Isou, com suas letras em liberdade, a poesia optofonética de um Raoul
Hausmann, François Dufrene, os do Grupo de Viena, como Gerhard Ruhm
foram bastante importantes. Poetas portugueses em torno de E.M. de Mello
e Castro também tiveram um importante papel nas minhas pesquisas,
que ficariam incompletas sem o advento do concretismo, irmãos Campos
à frente.
3 - Porque você escolheu ou gosta de produzir Poesia
Visual como um dos seus meios de expressão artística?
Escolhi a Poesia Visual ainda cedo na minha trajetória de poeta porque
ela claramente permitia a fusão (gesamkunstwerk) de diferentes meios
e técnicas, fazendo com que o praticante pudesse avançar bastante
com relação ao uso da escrita, que não era capaz por si
só de traduzir as experiências e descobertas que estava tendo naquela
fase, além de atender plenamente à minha inquietação
quanto ao que deveria se constituir numa arte poética.
4 - Desde quando você adotou a Poesia Visual como
forma de expressão?
Adotei-a por volta de 1986, logo após a publicação do meu
segundo livro de poesia experimental, ainda suportado pela palavra, iniciando
um novo e decisivo período nas minhas atividades, que têm incluído,
desde então, não somente a poesia visual, mas, é importante
acrescentar, os seus desdobramentos, como o poemobjeto, a antipoesia,
o poemacústico, etc., todos com soluções muito
pertinentes para as minhas constantes buscas. |